ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE MARUÍPE

Histórico do Bairro

O apagão era natural nos idos da década de 30 do século passado. As únicas luzes possíveis tremeluziam lá pelas bandas de Jucutuquara e a água que abastecia as casas de estuque e pau-a-pique brotava nas fontes das chácaras ou poços. Era tudo uma grande invasão pontilhada de cavalos que se alimentavam do matinho rasteiro. Veio daí o primeiro nome da área, MUXINGA que ninguém sabe precisar ao certo, mas supõe-se estar associado aos eqüinos. Para alguns moradores, MUXINGA era a relva da qual os cavalos se alimentavam ou o local onde ficavam presos, já o Aurélio, que pastoreia etimologias como ninguém, dá seu veredicto: “MUXINGA é chicote, açoite”.

Antes da abertura de ruas
Descida para Av.Maruípe – Ao fundo Hospital Santa Rita em Construção

Provavelmente, também, tenha sido esse nome MUXINGA escolhido por haver em abundância na área, servindo igualmente para formação de utensílio doméstico como a “vassoura”, ainda muito em uso nos interiores do Brasil. Tempo de conversas assustadas à luz de lamparinas, estórias de assombrações, sacis dando nós nas crinas dos animais, mulas-sem-cabeça trotando nos baixios, orquestra de sapos nas várzeas, cachorros latindo pra lua – recordam os antigos moradores, como Dona Guilhermina Maria dos Santos, 86 anos mirando da MUXINGA ao MARUIM. Mas verdade é que o lugar ficou conhecido pelo nome MARUIPE, batizando a primeira estrada, derivado do MARUIM, um mosquito renitente de picada forte e dolorida, zumbindo turbinado sempre às primeiras horas da manhã, e nas sombras da noite, ficando MARUÍPE sendo conhecida como “Caminho de Mosquitos”. Para os moradores era constrangedor ser identificado como habitante de uma área infestada de mosquitos. Dizem os mais antigos do bairro que a palavra Maruípe' é derivada do tupi-guarani, que significa "Mosquito no Caminho".

Muxinga
Construção da Igreja Católica em frente a Praça. São José Operário

Se bem que ali pela década de 60 tentou-se imputar ao pedaço o nome de VILA MARIA, influência religiosa que não perseverou. Voltou a ser MARUÍPE na boca do povo. E a voz do povo é a de Deus, profetiza o povo. A história da ocupação da região de Maruípe está relacionada, por um lado ao loteamento "VILA MARIA", em "MARUHYPE" aos desmembramentos da então FAZENDA MARUIPE e das glebas pertencentes aos herdeiros do Barão Monjardim, por outro ao loteamento Nossa Senhora da Consolação, em Gurigica e as invasões nos morros e mangues. Em 1897, a FAZENDA MARUÍPE, segundo descrições do Senhor ADELPHO POLI MONJARDIM, no livro Vitória Física, localizava-se ao lado da FAZENDA JUCUTUQUARA, compreendendo uma área total de 4.620.000,00 m2 que se estendia do atual bairro Santa Cecília até a Ponte da passagem. Durante o Império, a fazenda pertenceu ao Dr. Inácio Accioli de Vasconcelos, ouvidor da comarca de Vitória, nomeado por D. Pedro I para o governo do estado. Posteriormente foram doadas várias áreas para abrigar equipamentos públicos de grande porte, tais como: o cemitério, em 1928; o Quartel, antigo Esquadrão da Cavalaria do ES, em 1936; o Hospital dos Tuberculosos do ES, atual Escola de Medicina, em 1951; a Estrada do Contorno e o Horto Municipal. Em alguns livros e recortes de jornais consta como proprietários de parte da Fazenda um nobre inglês, Mr. Bhering, que ao falecer não deixou herdeiros passando as terras ao domínio do estado. Historicamente, devido a sua localização distante do Centro, Maruípe foi um local destinado pela sociedade para a instalação de equipamentos institucionais de grande porte, hospital, quartel e cemitério. Em 1930, a firma Santos Soares e Paiva, aprovou o loteamento "VILA MARIA”, com 209 lotes e área total de 90.537m². Atualmente este loteamento está inserido entre Tabuazeiro e Eucalipto. Consta ainda no cadastro imobiliário da PMV, dois loteamentos localizados próximos a Vila Maria. O primeiro feito em 1957 era de propriedade do Sr. Américo Martins Figueiredo, e o segundo, sem dados sobre o proprietário, com área total de 18.272,00 M2. À medida que a área de Maruípe foi sendo ocupada e parcelada, diminuiu progressivamente a abrangência do que se convencionou chamar BAIRRO MARUÍPE. Isto pode ser explicado pelo fato de novos parcelamentos possuírem outros nomes como: Santa Cecília (ex-fazenda do Sr. Aurinho), Penha, Itararé, São Cristóvão, Tabuazeiro, entre outros.

Pedra dos Dois Olhos
Parque Municipal Horto de Maruípe

Atualmente, a Fazenda Maruípe abrange a área em que estão localizados o Parque Municipal Horto de Maruípe, o Cemitério de Maruípe, o Quartel da Polícia Militar e o Hospital das Clínicas. Na década de 30, o então presidente do Estado, Aristeu Aguiar, confiou a seu irmão Ormando Aguiar a Secretaria da Viação e Obras. Ao tomar conhecimento da existência do pequeno horto, que fazia a arborização da cidade, Aguiar desmembrou-o de parte da fazenda e projetou um jardim botânico. Atualmente, o BAIRRO MARUÍPE possui 3.911 habitantes e ocupa um território de 0,33 km². O Bairro é atendido pelo CMEI Nelcy da Silva Braga, localizado em São Cristóvão, atendendo 394 crianças. Duas EMEF"s, e conta com o Projeto Pré Médio que funciona nas EMEF"s Suzete Cuendet e Otacílio Lomba e o Projeto pré-médio atendendo 1.700 alunos (na UNIVES). Ensino noturno atendendo 311 jovens. Possui duas praças, sendo uma com brinquedos e outra com campo de bocha. O bairro é atendido por 19 linhas de ônibus municipal. O bairro tem sua representação junto aos órgãos da administração pública, devidamente constituída através de uma Associação de Moradores atuante, onde se tem administrado diversos projetos

4ª Companhia da Policia Militar.

Voltados para a comunidade, especialmente a carente, assim como, aos idosos. A sede da Associação de Moradores abriga a 4ª Companhia da Policia Militar. Pesquisa realizada por um morador do bairro que nele nasceu aos 25 dias do mês de Junho do ano de 1946, e que atualmente reside à rua José Luiz de Mattos, número 100, local este onde tem plantadas as suas raízes através dos seus avós maternos, Sr. Victor Fritoli Navarro e Sra. Olivia Paciência Fritoli. Trata-se de AGUINALDO FRITOLI VIEIRA